Amazonastur inicia Plano de Ordenamento Turístico em comunidade indígena de Rio Preto da Eva

Ação busca ordenar e fortalecer a atividade turística com foco no desenvolvimento sustentável e protagonismo cultural

Foto: Lucas Silva

A Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur) deu início, na segunda-feira (13/05), ao Plano de Ordenamento Turístico (POT) na Aldeia Beija-flor, localizada na zona urbana de Rio Preto da Eva (a 57 quilômetros de Manaus). A ação do Governo do Amazonas visa ordenar e fortalecer a atividade turística nas comunidades indígenas com foco no desenvolvimento sustentável e protagonismo cultural.

Para isso, o POT inclui ações voltadas para a formação do produto turístico, sensibilização ambiental e qualificação aplicada ao turismo. O projeto piloto começou a ser executado em 2022, nas comunidades indígenas Cipiá e Tatuyo, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga da Conquista, e Tuyuka e Diakuru, na RDS do Tupé. 

A diretora de Desenvolvimento e Turismo (DTUR) da Amazonastur, Emmanuelle Pampolha, ressaltou que a construção do POT conta com o apoio de órgãos estaduais e municipais, o que permite a replicação das ações para mais comunidades indígenas que trabalham com atividade turística. Ela explicou que o projeto possui duas fases, iniciando com a Fase de Diagnóstico.

Foto: Lucas Silva

“No primeiro momento, fizemos uma análise do local, da comunidade, do potenciais turísticos, quais as principais ações de ordenamento que são necessárias para que a gente consiga levar capacitação, infraestrutura, oficinas para que aquela comunidade e realmente consiga se ordenar e se preparar para receber os turistas”, detalhou Pampolha.

Além da equipe da Amazonastur, a Secretaria Municipal de Planejamento, Agroindústria, Comércio e Turismo de Rio Preto da Eva (Semplactur) também participou da ação. Para a titular da pasta, Vanuza Barroncas, o plano de ordenamento ajuda na preservação da cultura indígena e permite o envolvimento direto da comunidade no processo da atividade turística.

“Nós estamos fazendo a nossa parte para que a própria comunidade indígena preserve os seus conhecimentos, os seus hábitos, costumes, sem deixar de lado o etnoturismo, que é uma potencialidade forte na região”, enfatizou a secretária.

Potencialidades turísticas

Durante a programação foi realizada uma visita técnica com a finalidade de reconhecer o ambiente visando os pontos de visitação do turista. Também foram realizadas roda de conversa e oficina de turismo e diagnóstico local, onde foram discutidas os pontos fortes, potencialidades turísticas e os pontos a melhorar. 

A chefe do Departamento de Produtos e Projetos da Amazonastur, Raíssa Tavares, fez um balanço positivo da visita técnica e comentou como será a atuação da Empresa Estadual de Turismo para potencializar o turismo na comunidade.

Foto: Lucas Silva

“O primeiro passo é a elaboração de um plano de ação. Agora que nós identificamos os principais atrativos turísticos e a potencialidade da comunidade, assim como os principais desafios, esse plano de ação tem como objetivo especificar as metas e identificar as nossas próximas ações para fortalecer a comunidade”, afirmou Tavares.

Com o plano de ação pronto será possível criar experiências turísticas únicas trazendo oficinas à comunidade para construir junto com ela, um novo produto turístico para Rio Preto da Eva.

Foto: Lucas Silva

Quem aprovou a iniciativa foi o tuxaua geral da comunidade indígena Beija-flor, Fausto de Andrade Moryá. “A gente agradece muito a parceria da Amazonastur, que vai ajudar muito a nos organizar. Como a gente não sabia preço, valores, pacotes, tudo isso aí, acho que a gente vai ter uma noção depois disso de como receber bem o turismo aqui na aldeia Beija-Flor”, projetou.


História

Fundada em 1991, a aldeia Beija-Flor tem sua sede instalada na zona urbana de Rio Preto da Eva, mas possui outras cinco microáreas (Beija-Flor II, III, IV, V e VI). Nelas, vivem hoje famílias pertencentes a 11 etnias, com mais de 1.2 mil pessoas, que adotam sua língua e suas tradições ancestrais. 

Atualmente, a comunidade oferece o turismo voltado fortemente para a valorização da cultura (cerimônias, rituais de iniciação, danças sagradas e grafismo indígena), associado à venda de artesanato indígena, além de comidas típicas e trilha na floresta.